Entrevista de Inauguração – Lorde Noga

A entrevista de inauguração do nosso site não poderia ter um convidado melhor. Escolhemos um nome que é unânime, tanto no cenário competitivo do DF, quanto no cenário nacional. O nome dele é João Paulo Nogueira, o Lorde Noga.

 

Kennedy – Primeiramente, eu gostaria agradecer você, pois você teve um trabalho importante à frente da LOP-DF. Então se somos uma das maiores LOP do país, você teve um papel fundamental para que isso ocorresse, então fica aqui registrada não só a minha gratidão, mas de toda LOP-DF. Sem mais delongas, vamos às perguntas.

Queria que você se apresentasse e dissesse: o que o João Paulo faz da vida?

Lorde Noga – Sou Designer Gráfico, formado na Universidade de Brasília. Trabalho com o desenvolvimento de jogos digitais desde 2004, principalmente com User Interface (UI). Tenho 35 anos e sempre gostei muito de jogos e esportes pelos desafios, além de curtir muito histórias muito bem contada – seja em livros, filmes ou seriados. Também costumo desenhar bastante, embora esses últimos meses não tenha feito nada pessoal. Meus jogos favoritos no momento são World of Warcraft e Street Fighter 5, e estou no aguardo do possível Pokémon Z.

Kennedy – Pronto, agora que conhecemos um pouco sobre João Paulo. Gostaria que nos contasse a história do Lorde Noga. Conte-nos sobre a sua trajetória no competitivo do Pokémon. 

Lorde Noga – Comecei a jogar um tempo depois de ter assistido um episódio de Pokémon na Record. Quando começou, eu não fazia idéia do que era e até achei que era algum tipo de spin off de Mega Man. Daí apareceu um Caterpie e vi que era algo novo. Algumas semanas depois comprei um Gameboy Pocket e uma Pokémon Blue – nunca gastei tantas pilhas em minha vida como nessa época. Pokémon estava começando e bombando, então todos estavam ávidos para completar as Pokédexes e mostrar seus times em ação. Nesse espírito, começaram a acontecer vários torneios menores que funcionavam como ponto de encontro dos treinadores que já eram amigos. Os fóruns especializados de internet também serviram de ponto de encontro e canal de comunicação.

Foi então que a Pokémon Club, revista especializada na época, organizou o primeiro Desafio à Elite dos 4 Brasilieira, em GSC. Venci um dos dias, dei o Gameboy Advance de prêmio pro meu irmão, Mateus Nogueira, começar a jogar também, e fiz muitos amigos e contatos. Nessas conversas surgiram mais torneios independentes aqui no DF, venci um de RBY e ganhei uma Cristal de prêmio, que vendi para um amigo começar a jogar também. Nesse período também aconteciam torneios online pelo canal #GSBot do mIRC.

Logo aconteceu o Torneio Unificado de Ginásios em SP, a primeira vez que os torneios premiavam os vencedores com insígnias para desafiar a E4 BR. Foi o maior evento Pokémon que eu já vivenciei no Brasil, com mais de 300 inscrições nos campeonatos. Muitas emoções! Foi aí que eu defendi o Poison Gym pela primeira vez. Logo depois surgiu o formato que os Gyms seriam estaduais, e eu fui convidado a ser o responsável pelo Poison no DF. Já fazíamos torneios em eventos de animes e espaços culturais, e foi nessa época que tudo tomou uma proporção maior. No começo de 2005 eu me mudei pra São Paulo e sai da organização de torneios brasilienses.

Nesse tempo todo, fui competidor, organizador, líder de ginásio, e elite. Mas tudo se resume em ser fã de Pokémon, e por isso eu buscava integrar e melhorar a comunidade dos jogadores, aqui no DF e no Brasil. 

Kennedy – Uma trajetória e tanto. Então, você conseguiu um feito almejado por muitos jogadores, ganhar um DE4, o Primeiro Desafio à Elite. Como foi vencer um torneio tão importante assim?

Lorde Noga – Primeiro que o torneio aconteceu em São Paulo, e todos lá me perguntavam “Você veio de tão longe só pra participar de um torneio de Pokémon?”. Oras, é claro! E é importante mencionar isso porque o nível de preparação foi alto. As regras eram estranhas, então eu preparei o time com bastante antecedência e os usuários do fórum Azure Heights me ajudaram a melhorá-lo na época. Eu ainda me lembro que nos dias que antecederam a viagem, eu fiquei um bom tempo fazendo Box Trick em Mt. Silver – esse sistema era o equivalente a treinar Effort Value em GSC. 

Clique aqui para ver o post do Primeiro DE4 Nacional.

Clique aqui e veja o anúncio do Primeiro torneio oficial de Brasília.

Kennedy – No torneio, tinha algum jogador que você considerava favorito?

Lorde Noga – Eu não conhecia ninguém quando cheguei lá, então para mim todos eram favoritos. Aliás, por ser o primeiro torneio nacional os únicos jogadores de renome eram os integrantes da E4BR. Foi lá que eu conheci os frequentadores da PokeLand, alguns deles se tornariam os  campeões dos outros dias do DE4. Então não tinha como criar estratégia específica, o esquema era realmente montar o seu melhor time e ir pra cima da galera.

Kennedy – O que você achou do seu desempenho contra a E4? Venceu quantos membros? 

Lorde Noga – Venci a Cláudia e parei no Eric. No link que passei tem os relatos da luta, mas, resumidamente,  mudaram as regras por conta do limite de tempo do evento. Invés de usar o mesmo time 6×6 que usei contra a Cláudia, contra o Eric tivemos que fazer uma 3×3. Foram lutas difíceis, mas que mostrou que o DF estava bem representado. 

Kennedy – Eu sei que faz tempo, mas, você ainda se lembra do time ou estratégia que utilizou? 

Lorde Noga – Para o campeonato, as regras eram 3×3 com times com somatório de 200 níveis. Então a melhor configuração era um lv100, um lv95 e um lv5. Usei um Curselax lv100, um Gastly lv5 com Destiny Bond e Quick Claw e não tenho certeza do terceiro lv95 – acho que era o Lugia.

O time contra a E4 foi o meu SpikeStorm, muito dano residual com bichos que batiam forte. Forretress, Shuckle, Snorlax, Tyranitar, Lugia e Machamp. Acho que era o único Shuckle do torneio inteiro.

Kennedy – Aproveitando a pergunta anterior, qual seu estilo de jogo? E qual processo utilizava na criação de seus times?

Lorde Noga – Acho que o processo sempre foi ter uma ideia interessante e fazer o time girar em torno dela ou torná-la viável. Os últimos times mais consistentes que criei foram para as Battle Competitions e Seasons online do XY. Por exemplo, no Battle of Legends eu queria usar Mewtwo X com Skill Swap em um time que oferecia meios e opções diversas para serem copiadas. No Eevee Friendly eu já fiz uma zoeira com um Sylveon de Flash em um time de Sunny Day já que eram Rotation Battles e não dá muito para trocar e remover as penalidades. E na Season que inverteram a Type Chart, me diverti muito com Aurorus e Sawsbuck no meio da confusão. Então qual o meu estilo de jogo? Usar Pokés que eu gosto em estratégias diferenciadas, ou no mínimo uma ou outra coisa para surpreender o oponente.

Kennedy – Muito interessante e singular seu estilo de jogo, acho que isso foi uma de suas principais características durante sua jornada no competitivo. Falando nisso, em qual geração de Pokémon parou de jogar? E por quê? 

Lorde Noga – Eu sempre paro por dois motivos principais. O primeiro é a banalização de hack. O segundo são lançamentos de outros jogos que eu gosto muito também. Eu nunca deixei de jogar uma geração nova, sempre termino a história, completo a Pokédex e enfrento outros desafios do jogo. O que eu paro mesmo é de jogar em competições, tanto que meu Pokémon Bank está repleto de bichos treinados para batalhas que nunca foram usados. Aí nos intervalos de gerações eu volto a jogar Street Fighter ou World of Warcraft, ambos com afinco o suficiente para jogar muitas partidas rankeadas em um e fechar todos os raids Heroics no outro. Quanto ao hack banalizado, nem vou entrar muito no tópico, mas gostaria de dizer que o começo de XY foi uma das melhores épocas que existiu para jogar Pokémon, talvez a melhor.

Kennedy – No início de X e Y, você voltou a jogar, inclusive nos enfrentamos em uma batalha pelo torneio de Clãs da LOP-DF, talvez a que marcasse seu retorno ao competitivo, além disso você compareceu em algumas LOPs, porém não deu continuidade. Por quê? 

Lorde Noga – Eu havia acabado de retornar para Brasília, então estava colocando a vida nos eixos. Projeto de mestrado, fiquei noivo na época, e preparando portfolio para procurar emprego. Os fins de semana eram bem ocupados, e eu não conseguia ficar de olho no calendário da LOP. Assim, eu acabava sabendo dos torneios geralmente no próprio domingo, ao ver o meu irmão (Mateus Nogueira) saíndo pra organizar. Sem preparação, não dava pra ir. Logo começaram a rolar os Hacks e eu desanimei de vez.

Mas na real, meu irmão não queria jogar comigo em casa quando eu chamava. Eu acabava desanimando também, dando espaço para jogar outras coisas com outras pessoas.

Kennedy –  Além do Mateus fugir das batalhas e o Hacks que ficaram cada vez mais comum, muita coisa mudou no universo Pokémon hoje, o que você acha do metagame da sexta geração? As mudanças nas gerações influenciaram você a não retornar a jogar?

Lorde Noga – De forma alguma! Achei as novidades muito boas. Principalmente porque conseguiram quebrar a dominância dos Weather Teams da quinta geração. Eu gostei muito de BW também, mas o metagame lá era mais quebrado. XY renovaram as estratégias e balancearam bem o jogo – apesar da presença de Greninjas, Kangaskhans, Aegislashes e Talonflames. E as Mega Evolutions foram novidades que realmente impactaram de uma forma positiva no metagame e no ânimo com o jogo. 

Kennedy – Falando nisso, você sabe que é um jogador que todo mundo gostaria de ver de volta no cenário competitivo, afinal Pokémon é igual a andar de bicicleta, pode até estar destreinado, mas, nunca se esquece. Diante disso, todos querem saber, qual a chance de vermos Lorde Noga competindo pra valer em 2016?

Lorde Noga – É muito bom conversar com os jogadores da LOP porque muitos jogam há muito tempo também, e sempre é bom atualizar as conversas sobre o jogo e sobre o cenário. Muitos realmente me perguntam isso, mas vou lhe dizer uma coisa: Street Fighter 5 acabou de ser lançado, e no segundo semestre temos a nova expansão de World of Warcraft, Legion. Mesmo com o Pokémon Sun e Moon que vêm esse ano, as chances são bem baixas de que eu volte esse ano a jogar Pokémon competitivo. Mesmo porque eu mal treinei novos bichos na Alpha Sapphire, aproveitei muito mal o jogo.

Kennedy – Foram muitos anos de dedicação para o crescimento da comunidade Pokémon do Brasil. Então, nos responda. O que a LOP representa para você?

Lorde Noga – É um legado de amizades, iniciativas, união, diversão e compromisso. A marca Pokémon fez 20 anos em 2016, e é muito louco você pensar que fez amigos nos primórdios das competições aqui no DF e que eles continuam amigos até hoje. E sabe o que é mais louco ainda? Esses amigos já estão com filhos, que estão aprendendo a jogar Pokémon. Se a Nintendo continuar fazendo bem a parte dela, teremos gerações de campeões no futuro.

Kennedy – E o legado continua. Recentemente, Mateus Nogueira, seu irmão, assumiu a LOP-BR. Com sua experiência competitiva e administrativa, o que você espera dele à frente dessa organização? E quais são os desafios que ele deve enfrentar?

Lorde Noga – Mateus é muito responsável e rigoroso, além de ter um forte senso de justiça. Ver ele nesse cargo representa que tudo será levado com muita seriedade e compromisso. Fiquei muito triste há anos atrás quando me contaram como a LOP-BR se tornou corrupta, e ver o Mateus com toda responsabilidade agora me confirma que esses
tempos obscuros realmente já se foram. Acredito que o maior desafio para ele será lidar com os preparativos do casamento simultâneos com a organização da LOP, além de me aguentar o tempo todo chamando ele para jogar alguma coisa.

Kennedy – Gostaria de agradecer, mais uma vez, por ter aceitado nosso convite. Não teria player melhor para iniciar esse nosso projeto, senão o primeiro jogador de alto nível do DF conhecido nacionalmente. Para finalizar, gostaria que você desse um conselho para a galera que tá começando no Pokémon competitivo, para aqueles que desejam seguir o caminho que você trilhou.

Lorde Noga – O melhor conselho que eu posso dar é para aproveitar os eventos para criar e fortalecer amizades com os outros jogadores. Isso fortalece a comunidade como um todo, com um motivando e desafiando o outro a sempre serem melhores. Com um olhar mais técnico, observem sempre os jogadores mais experientes e estudem sempre o jogo para encontrar alternativas além do usado normalmente. As derrotas são as melhores formas de aprendizado, então aprendam a compreendê-las e evoluir com isso. 

Agradeço muito o convite, fiquei muito honrado com isso. Peço desculpas pela demora nas respostas, mas queria responder tudo com o máximo de atenção e carinho possível, que é o mínimo que a LOP-DF merece. Sucesso para todos 😀 Estarei sempre por aqui, de olho no trabalho de vocês e torcendo para os nossos jogadores, que representam uma das regiões de maior alto nível competitivo no Brasil em Pokémon.

E aqui termina nossa primeira entrevista. Acompanhem o site para mais novidades. E lembrem-se, Domingo(20/03) tem LOP, reservem essa data e venha disputar partidas eletrizantes. 

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Kennedy Monsuete

Organizador-Geral da LOP-DF, Designer Gráfico de formação, Bancário de profissão, Jiu-Jiteiro e jogador de Pokémon nas horas vagas.